Um texugo-americano enterrou uma carcaça de bezerro várias vezes mais pesada que ele próprio, e armadilhas fotográficas registraram a sequência. O caso aconteceu em 2016 no deserto de Great Basin, em Utah, e virou um estudo sobre como esses animais armazenam alimento. É uma observação rara e impressionante — não prova que texugos façam isso com frequência.
O que os pesquisadores observaram
Os cientistas monitoraram sete carcaças de bezerros domésticos que haviam morrido naturalmente. Elas pesavam entre 18,6 e 26,9 quilos e foram colocadas em locais separados por pelo menos três quilômetros. Texugos visitaram quatro pontos; em dois, um animal solitário enterrou parte ou toda a carcaça.
No caso mais conhecido, o texugo encontrou o bezerro em 16 de janeiro de 2016 e começou a escavar por baixo. Em poucos dias, a carcaça desapareceu na cavidade, e o animal cobriu o local com terra. O estudo descreve uma escavação com cerca de 70 centímetros de profundidade e quase dois metros de largura. Depois, o texugo fez uma toca ao lado e passou longos períodos no subsolo, possivelmente alimentando-se e descansando perto do alimento.
Por que o comportamento surpreendeu
Texugos são carnívoros oportunistas e costumam capturar pequenos animais que vivem em tocas. Também podem esconder comida debaixo da terra. O que chamou a atenção foi a escala: os dois texugos registrados esconderam carcaças muito maiores do que itens de alimento normalmente associados a esse comportamento. O artigo científico descreveu o caso como a primeira evidência publicada de um texugo-americano armazenando uma carcaça significativamente mais pesada que o próprio animal.
Os pesquisadores propõem que enterrar grandes carcaças pode ajudar a proteger alimento de outros necrófagos e alterar a distribuição de nutrientes no solo. Também levantam, como possibilidade, que esse comportamento possa ter utilidade em ambientes de criação de animais. Essas implicações não foram medidas pelo estudo e não permitem recomendar que fazendeiros deixem ou enterrem carcaças de qualquer maneira.
Um registro raro, não uma regra
O trabalho acompanhou sete carcaças em uma região e documentou dois eventos de armazenamento. Além disso, os pesquisadores prenderam as carcaças ao local para evitar que necrófagos as arrastassem, uma condição específica de pesquisa. As câmeras registraram uma sequência de imagens, não necessariamente cada movimento em vídeo contínuo. O resultado mostra uma capacidade surpreendente, mas não diz com que frequência isso ocorre na natureza.
O episódio lembra que câmeras de campo podem revelar comportamentos difíceis de observar diretamente. Ainda assim, um caso extraordinário deve ser interpretado junto com o método, o tamanho da amostra e os limites do estudo.



