Outubro trouxe alertas sobre ransomware, programas maliciosos e espionagem digital. Os casos divulgados por pesquisadores mostram como arquivos aparentemente comuns, mensagens recebidas pelo WhatsApp e softwares sem atualização podem abrir caminho para ataques. Veja o que aconteceu e como reduzir os riscos.
Ransomware escondido em currículo falso
Pesquisadores do AhnLab Security Intelligence Center (ASEC) identificaram uma campanha atribuída ao grupo Kimsuky que usava um currículo malicioso para distribuir o ransomware Funhouse. O documento, feito para parecer uma candidatura de emprego, continha arquivos incorporados; a cadeia de infecção prosseguia quando a vítima clicava em um link. Scripts e uma ferramenta de acesso remoto eram usados antes da etapa final de criptografia dos arquivos.
O caso reforça um cuidado simples: desconfie de currículos, notas fiscais e outros anexos inesperados, mesmo quando o assunto parece familiar. Não habilite recursos nem abra links embutidos sem confirmar a origem por outro canal.
Arquivo enviado pelo WhatsApp pode infectar um computador
Outro alerta de outubro descreveu um arquivo executável disfarçado de documento financeiro e distribuído por WhatsApp. Segundo a análise da Morphisec publicada pelo The Hacker News, a infecção podia instalar um trojan de acesso remoto (RAT), permitindo que criminosos coletassem informações do computador e tentassem interferir em ferramentas de segurança.
Isso não significa que o WhatsApp tenha sido invadido: o risco está em executar um arquivo malicioso recebido pelo aplicativo. Arquivos com extensão .exe não são documentos comuns. Se alguém enviar um comprovante ou extrato nesse formato, não abra; confirme com a pessoa por uma ligação ou conversa iniciada por você.
Espionagem digital camuflada em tráfego normal
Em 22 de outubro, a revista Infosecurity Magazine noticiou uma análise da empresa Semperis sobre o grupo Prince of Persia, ativo há cerca de duas décadas. A investigação descreveu malware capaz de roubar documentos, capturar telas e gravar áudio. Uma das ferramentas identificadas, chamada Tornado, podia se comunicar por HTTPS e pela API do Telegram, tentando misturar o tráfego malicioso ao uso legítimo desses serviços.
A atividade relatada é direcionada a organizações e alvos específicos, não uma prova de que todo usuário esteja sendo espionado. Ainda assim, o caso mostra por que organizações devem manter sistemas atualizados e investigar conexões incomuns, inclusive quando parecem vir de serviços conhecidos.
O que esses casos têm em comum?
- Engenharia social: currículos e documentos financeiros são usados para levar a vítima a abrir um arquivo ou clicar em um link.
- Acesso remoto: algumas infecções tentam instalar ferramentas que permitem controlar o dispositivo à distância.
- Disfarce: criminosos podem aproveitar aplicativos e conexões legítimos para tornar a atividade mais convincente ou difícil de detectar.
Como se proteger no dia a dia
- Mantenha o celular, o computador, o navegador e os aplicativos atualizados.
- Evite executar anexos inesperados, principalmente arquivos de programas (.exe, .msi ou semelhantes), mesmo se chegaram por WhatsApp.
- Confirme pedidos urgentes de dinheiro, senhas ou documentos por outro meio de contato.
- Use senhas exclusivas e autenticação em dois fatores nas contas importantes.
- Guarde cópias de segurança dos arquivos em local separado do computador e teste se consegue restaurá-las.
- Em empresas, limite permissões de acesso e monitore instalações de programas de acesso remoto que não foram autorizadas.
Se suspeitar de infecção, desconecte o dispositivo da rede, não apague arquivos nem pague resgate por impulso e procure suporte técnico confiável. Em um computador de trabalho, avise imediatamente a equipe responsável pela segurança.
Fontes
- AhnLab ASEC — análise do caso Funhouse e do documento malicioso
- The Hacker News — alerta sobre RAT distribuído com isca enviada pelo WhatsApp
- Morphisec — análise técnica da cadeia de malware para Windows
- Infosecurity Magazine — grupo Prince of Persia e infraestrutura de comando e controle
- Semperis — pesquisa citada no alerta sobre o grupo Prince of Persia
As informações refletem reportagens e análises publicadas até 23 de outubro de 2026. Atribuições e detalhes técnicos podem ser atualizados conforme as investigações avançam.



